sábado, 10 de outubro de 2009

Vida

Tudo igual apesar da morte. O despertador toca ainda, o ônibus faz seu exaustivo trajeto, homens e mulheres saem e voltam pras suas casas mais gordos ou mais magros, alguém tosse a cada instante em todas as cidades do mundo, a cada mínimo fragmento de instante alguém ganha um beijo ou um tapa. As pessoas riem ainda.
As coisas são todas indiferentes à morte.

Alguém acaba de morrer no Equador, em Lima, em Nova York e na Romênia ao mesmo tempo em que escrevo esta linha e outras mais tornam a morrer enquanto esta frase está sendo lida. E o mundo continua dando suas voltas e a chuva vem caindo da mesma maneira molhada.

Alguma coisa morre dentro de alguém na Áustria, na Bulgária e na Guiana Francesa. Mas os comercias continuam passando na TV e tem um homem falando eu te amo nesse exato momento. As pessoas continuam comendo e trepando onde quer que seja, milhares ao mesmo tempo em todo o planeta.

Morrer sem estar morto e ver que a vida segue igual.
Morrer pra nascer de novo.
Alguém acaba de dizer socorro.

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